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Descobrimentos

 

    Camões viveu a fase terminal dos descobrimentos. Morreu um ou dois anos depois da derrota de Alcácer Quibir, coincidente praticamente com a perda da independência portuguesa a favor da Espanha, situação que iria durar até 1640. 

    Camões foi seguramente  um poeta de sistemas de valores que eram os da cultura e da civilização europeias do seu tempo.

    Foi sobre este pano de fundo que o poeta  viveu e escreveu a sua obra épica e lírica.                                                

 

                                      

Batalha de Alcacér Quibir

                               

 

    Camões viveu durante 17 anos as peripécias de uma viagem à Índia, fez a guerra, foi ao Extremo Oriente, conheceu o exílio, as dificuldades, os perigos, as desgraças, o sofrimento, o desespero, enfim, ele próprio viveu e exprimiu o preço humano e material dos descobrimentos.

Escorbuto

 

    É por isso que, se procuramos n’Os Lusíadas vestígios da sua experiência pessoal, facilmente os encontramos nalguns planos principais ora em forma evidente o modelo humano de quem maneja com idêntica destreza a espada e a pena enquanto faz amargas lamentações, mais ou menos moralizadoras, sobre o esquecimento ou a injustiça de quem se sente vítima; ora invoca o naufrágio que sofreu; ora ajude os seus dramas amorosos personificados na figura patética do gigante Adamastor e na perseguição das ninfas pelo soldado Leonardo Ribeiro, na Ilha dos Amores; ora, enfim, afirma a consciência do seu génio das suas aptidões e da sua disponibilidade para continuar a cantar as glórias presentes e futuras da sua pátria.

 

Gigante Adamastor

 

    Toda obra de Camões (centenas de poemas líricos de todos géneros, cartas e algumas peças de teatro), põe em evidência algumas contradições do seu ser.